Desci o primeiro, o segundo, o terceiro degraus, e por aí adiante até lhes perder a conta, e olhei para o lado, num gesto que a rotina quase me obriga a fazer, mas algo tinha mudado, algo tinha quebrado essa rotina, algo tinha ocupado o espaço vazio de um determinado banco, algo de extremamente belo. Tive a ousadia de a fitar durante uns minutos, sereno, assim como ela estava. Uns cabelos castanhos cobriam uns olhos lindos, dos mais lindos que alguma vez vira, acompanhados dum sorriso luminoso, que reflectia a pureza da sua alma. Era demais, eu não conseguia ficar ali e suportar aquelas sensações todas, tinha de me mexer antes que fosse tarde demais e eu fosse apanhado naquele enredo fantasioso. Escapei por uma nesga ao sonho que se fizera no meu pensamento e dei 3 passos em direcção à realidade, a outras realidades que me fizeram pensar que aquilo não passara dum sonho. Depois de uma curta caminhada, como daqui até ali, voltei para ver se o sonho continuava intacto e no mesmo sítio. Adivinhem... continuava, muito mais belo como da outra vez, e aí sim, deixei-me cair naquela teia de sensações visuais que me deslumbraram e fui feliz. Mal sabia eu que aquela rapariga, iria entrar nalgumas das minhas fotos de amanhã.
Emanuel
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
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