quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Descrição

Aqui estou eu,
Numa cadeira nova mas
Num sítio velho,
Sentado a escrever

Olhos a brilharem
Das lágrimas que contêm,
Quantas histórias
Para contar, elas têm

Ao descer pelo rosto
Vão deixando pelo seu leito
A dor que está no pensamento
A dor que me sai do peito

Emanuel Melo

Passagem Poética

Reencontramo-nos passado todo este tempo
Vejo como cresceste e o que viveste
Quantas fronteiras atravessaste
E quantos corações tocaste
Trazes contigo aquelas memórias
Que remetem para os momentos
Em que atravessávamos o tempo
Envoltos em sentimentos
Deste-te a conhecer a novas pessoas
E novas pessoas te influenciam
Sem ti era difícil de viver
Através de ti eu banalizo
Todo o meu sofrer

Emanuel Melo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Carta

Desci o primeiro, o segundo, o terceiro degraus, e por aí adiante até lhes perder a conta, e olhei para o lado, num gesto que a rotina quase me obriga a fazer, mas algo tinha mudado, algo tinha quebrado essa rotina, algo tinha ocupado o espaço vazio de um determinado banco, algo de extremamente belo. Tive a ousadia de a fitar durante uns minutos, sereno, assim como ela estava. Uns cabelos castanhos cobriam uns olhos lindos, dos mais lindos que alguma vez vira, acompanhados dum sorriso luminoso, que reflectia a pureza da sua alma. Era demais, eu não conseguia ficar ali e suportar aquelas sensações todas, tinha de me mexer antes que fosse tarde demais e eu fosse apanhado naquele enredo fantasioso. Escapei por uma nesga ao sonho que se fizera no meu pensamento e dei 3 passos em direcção à realidade, a outras realidades que me fizeram pensar que aquilo não passara dum sonho. Depois de uma curta caminhada, como daqui até ali, voltei para ver se o sonho continuava intacto e no mesmo sítio. Adivinhem... continuava, muito mais belo como da outra vez, e aí sim, deixei-me cair naquela teia de sensações visuais que me deslumbraram e fui feliz. Mal sabia eu que aquela rapariga, iria entrar nalgumas das minhas fotos de amanhã.

Emanuel

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Tristeza e Pesar

Porque é que Deus te fez assim?
Porque é que ele não te fez mais humilde?
Humilde ao ponto de me amares,
De poderes olhar-me e encarares o sentimento que despertei em ti
Porquê essa arrogância, essa tua postura insensível,
Feriu-me, atingiu-me no peito e abriu-o,
Deixando-o aberto, cru, à espera de apodrecer
E assim com ele, aquilo que sinto por ti.
Nos olhos onde eu um dia encontrei um Céu
Rapidamente me levaram ao Inferno
Mal sabia eu
Que este sofrer seria eterno
Porque me soltas a mão,
Sem nunca a teres agarrado?

Emanuel Melo

domingo, 31 de maio de 2009

Sagrado

Aterradora a visão de uma capela
Toda iluminada, do chão à janela
À luz das velas, e alinhadas todas elas
Faziam da capela um céu com estrelas

Ao lado, numa pequena janela
Uma mãe, viúva do marido, viúva do filho
Uma viúva a quem a vida não poupou lágrimas
No percurso desse longo penoso trilho

Cantando a plenos pulmões
A multidão despede-se por este ano
Da Nossa Senhora, a Senhora das visões
E por baixo do seu olhar mistura-se o sagrado e o profano

Os irmãos, todos com as suas capas encarnadas
São os responsáveis pelo transporte das figuras sagradas
E aos seus ombros não vai somente o peso da santa
Mas vai também o peso da fé da multidão que canta


Emanuel Melo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Antero de Quental, o Trafulha

Este poema surge num trabalho que eu tinha de realizar para Português. Numa espécie de debate eu representava os defensores do Romantismo em Portugal, e tínhamos como adversários os Realistas. Este poema serve de bala que tenta desferir os Realistas.

Antero de Quental, o Trafulha

Antero de Quental
Considero-te o pior português
A nascer em Portugal

Esse país que em certo tempo
Foi ponto de partida para os Descobrimentos
Vê-se agora neste momento
Dividido em pensamentos

Cheia de escritores frustrados
Está essa tal Geração de 70
Não passam de homens mal amados
Que já ninguém aguenta

Porque não se manda para Praga o Teófilo
E se expulsa da nação esse tal Ortigão
Porque cá no nosso amado Portugal
Não há espaço para os amigos de Antero de Quental


Emanuel Melo (na aula apresentei-me como Luís Nobre, um possível poeta menor defensor do Romantismo)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Porque se escondem os seres humanos
Por baixo de uma capa que os deixa mundanos
Porque foge o Homem do seu Futuro incerto
Mesmo sem saber o que o espera
E quando tudo é um tormento

Floresce um pouco de paz
Por baixo dos pés do poeta
E pegando nessa paz
Enfrenta a própria escória que acarreta
Pesada, sobre os seus ombros esculpidos pela dor
De quem não suporta este mundo sem amor

Emanuel Melo