Há lobos sem ser na serra
Há dores que a morte encerra
Se fores por essa terra
Verás lobos sem ser na serra
Se fores por essa terra
À procura dos seus povos
Verás que não é só na serra
Que podemos ver os lobos
Dos povos não terás sinal
E os lobos serão o teu final
Emanuel Melo
domingo, 14 de dezembro de 2014
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Moscovo
Preparem a mochila
Vamos para Moscovo
Aprender a ser o Povo
Que no nosso país não somos
Vamos pela neve branca
E atravessamos o gelo que tranca
Por vezes o nosso caminho
Mas seria muito mais difícil
Se eu fosse sozinho
Vamos juntos
Nas gaiolas dos comboios
Nos fumos negros
Que nos levam (pelo menos quentes)
E por isso vamos
Sempre sem ranger os dentes
A fome esmaga o estômago contra as costas
Mas vou com vocês
A sobreviver pelas ruas dessa nossa grande casa
Emanuel Melo
Vamos para Moscovo
Aprender a ser o Povo
Que no nosso país não somos
Vamos pela neve branca
E atravessamos o gelo que tranca
Por vezes o nosso caminho
Mas seria muito mais difícil
Se eu fosse sozinho
Vamos juntos
Nas gaiolas dos comboios
Nos fumos negros
Que nos levam (pelo menos quentes)
E por isso vamos
Sempre sem ranger os dentes
A fome esmaga o estômago contra as costas
Mas vou com vocês
A sobreviver pelas ruas dessa nossa grande casa
Emanuel Melo
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Descrição
Aqui estou eu,
Numa cadeira nova mas
Num sítio velho,
Sentado a escrever
Olhos a brilharem
Das lágrimas que contêm,
Quantas histórias
Para contar, elas têm
Ao descer pelo rosto
Vão deixando pelo seu leito
A dor que está no pensamento
A dor que me sai do peito
Emanuel Melo
Numa cadeira nova mas
Num sítio velho,
Sentado a escrever
Olhos a brilharem
Das lágrimas que contêm,
Quantas histórias
Para contar, elas têm
Ao descer pelo rosto
Vão deixando pelo seu leito
A dor que está no pensamento
A dor que me sai do peito
Emanuel Melo
Passagem Poética
Reencontramo-nos passado todo este tempo
Vejo como cresceste e o que viveste
Quantas fronteiras atravessaste
E quantos corações tocaste
Trazes contigo aquelas memórias
Que remetem para os momentos
Em que atravessávamos o tempo
Envoltos em sentimentos
Deste-te a conhecer a novas pessoas
E novas pessoas te influenciam
Sem ti era difícil de viver
Através de ti eu banalizo
Todo o meu sofrer
Emanuel Melo
Vejo como cresceste e o que viveste
Quantas fronteiras atravessaste
E quantos corações tocaste
Trazes contigo aquelas memórias
Que remetem para os momentos
Em que atravessávamos o tempo
Envoltos em sentimentos
Deste-te a conhecer a novas pessoas
E novas pessoas te influenciam
Sem ti era difícil de viver
Através de ti eu banalizo
Todo o meu sofrer
Emanuel Melo
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Carta
Desci o primeiro, o segundo, o terceiro degraus, e por aí adiante até lhes perder a conta, e olhei para o lado, num gesto que a rotina quase me obriga a fazer, mas algo tinha mudado, algo tinha quebrado essa rotina, algo tinha ocupado o espaço vazio de um determinado banco, algo de extremamente belo. Tive a ousadia de a fitar durante uns minutos, sereno, assim como ela estava. Uns cabelos castanhos cobriam uns olhos lindos, dos mais lindos que alguma vez vira, acompanhados dum sorriso luminoso, que reflectia a pureza da sua alma. Era demais, eu não conseguia ficar ali e suportar aquelas sensações todas, tinha de me mexer antes que fosse tarde demais e eu fosse apanhado naquele enredo fantasioso. Escapei por uma nesga ao sonho que se fizera no meu pensamento e dei 3 passos em direcção à realidade, a outras realidades que me fizeram pensar que aquilo não passara dum sonho. Depois de uma curta caminhada, como daqui até ali, voltei para ver se o sonho continuava intacto e no mesmo sítio. Adivinhem... continuava, muito mais belo como da outra vez, e aí sim, deixei-me cair naquela teia de sensações visuais que me deslumbraram e fui feliz. Mal sabia eu que aquela rapariga, iria entrar nalgumas das minhas fotos de amanhã.
Emanuel
Emanuel
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Tristeza e Pesar
Porque é que Deus te fez assim?
Porque é que ele não te fez mais humilde?
Humilde ao ponto de me amares,
De poderes olhar-me e encarares o sentimento que despertei em ti
Porquê essa arrogância, essa tua postura insensível,
Feriu-me, atingiu-me no peito e abriu-o,
Deixando-o aberto, cru, à espera de apodrecer
E assim com ele, aquilo que sinto por ti.
Nos olhos onde eu um dia encontrei um Céu
Rapidamente me levaram ao Inferno
Mal sabia eu
Que este sofrer seria eterno
Porque me soltas a mão,
Sem nunca a teres agarrado?
Emanuel Melo
Porque é que ele não te fez mais humilde?
Humilde ao ponto de me amares,
De poderes olhar-me e encarares o sentimento que despertei em ti
Porquê essa arrogância, essa tua postura insensível,
Feriu-me, atingiu-me no peito e abriu-o,
Deixando-o aberto, cru, à espera de apodrecer
E assim com ele, aquilo que sinto por ti.
Nos olhos onde eu um dia encontrei um Céu
Rapidamente me levaram ao Inferno
Mal sabia eu
Que este sofrer seria eterno
Porque me soltas a mão,
Sem nunca a teres agarrado?
Emanuel Melo
domingo, 31 de maio de 2009
Sagrado
Aterradora a visão de uma capela
Toda iluminada, do chão à janela
À luz das velas, e alinhadas todas elas
Faziam da capela um céu com estrelas
Ao lado, numa pequena janela
Uma mãe, viúva do marido, viúva do filho
Uma viúva a quem a vida não poupou lágrimas
No percurso desse longo penoso trilho
Cantando a plenos pulmões
A multidão despede-se por este ano
Da Nossa Senhora, a Senhora das visões
E por baixo do seu olhar mistura-se o sagrado e o profano
Os irmãos, todos com as suas capas encarnadas
São os responsáveis pelo transporte das figuras sagradas
E aos seus ombros não vai somente o peso da santa
Mas vai também o peso da fé da multidão que canta
Emanuel Melo
Toda iluminada, do chão à janela
À luz das velas, e alinhadas todas elas
Faziam da capela um céu com estrelas
Ao lado, numa pequena janela
Uma mãe, viúva do marido, viúva do filho
Uma viúva a quem a vida não poupou lágrimas
No percurso desse longo penoso trilho
Cantando a plenos pulmões
A multidão despede-se por este ano
Da Nossa Senhora, a Senhora das visões
E por baixo do seu olhar mistura-se o sagrado e o profano
Os irmãos, todos com as suas capas encarnadas
São os responsáveis pelo transporte das figuras sagradas
E aos seus ombros não vai somente o peso da santa
Mas vai também o peso da fé da multidão que canta
Emanuel Melo
quinta-feira, 19 de março de 2009
Antero de Quental, o Trafulha
Este poema surge num trabalho que eu tinha de realizar para Português. Numa espécie de debate eu representava os defensores do Romantismo em Portugal, e tínhamos como adversários os Realistas. Este poema serve de bala que tenta desferir os Realistas.
Antero de Quental, o Trafulha
Antero de Quental
Considero-te o pior português
A nascer em Portugal
Esse país que em certo tempo
Foi ponto de partida para os Descobrimentos
Vê-se agora neste momento
Dividido em pensamentos
Cheia de escritores frustrados
Está essa tal Geração de 70
Não passam de homens mal amados
Que já ninguém aguenta
Porque não se manda para Praga o Teófilo
E se expulsa da nação esse tal Ortigão
Porque cá no nosso amado Portugal
Não há espaço para os amigos de Antero de Quental
Emanuel Melo (na aula apresentei-me como Luís Nobre, um possível poeta menor defensor do Romantismo)
Antero de Quental, o Trafulha
Antero de Quental
Considero-te o pior português
A nascer em Portugal
Esse país que em certo tempo
Foi ponto de partida para os Descobrimentos
Vê-se agora neste momento
Dividido em pensamentos
Cheia de escritores frustrados
Está essa tal Geração de 70
Não passam de homens mal amados
Que já ninguém aguenta
Porque não se manda para Praga o Teófilo
E se expulsa da nação esse tal Ortigão
Porque cá no nosso amado Portugal
Não há espaço para os amigos de Antero de Quental
Emanuel Melo (na aula apresentei-me como Luís Nobre, um possível poeta menor defensor do Romantismo)
segunda-feira, 16 de março de 2009
Porque se escondem os seres humanos
Por baixo de uma capa que os deixa mundanos
Porque foge o Homem do seu Futuro incerto
Mesmo sem saber o que o espera
E quando tudo é um tormento
Floresce um pouco de paz
Por baixo dos pés do poeta
E pegando nessa paz
Enfrenta a própria escória que acarreta
Pesada, sobre os seus ombros esculpidos pela dor
De quem já não suporta este mundo sem amor
Emanuel Melo
Por baixo de uma capa que os deixa mundanos
Porque foge o Homem do seu Futuro incerto
Mesmo sem saber o que o espera
E quando tudo é um tormento
Floresce um pouco de paz
Por baixo dos pés do poeta
E pegando nessa paz
Enfrenta a própria escória que acarreta
Pesada, sobre os seus ombros esculpidos pela dor
De quem já não suporta este mundo sem amor
Emanuel Melo
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