sexta-feira, 18 de julho de 2008

Solitário do Windows

No outro dia dei por mim a pensar na quantidade de gente que conheço. Sem dúvida é muita gente, mas depois lá fui reduzindo o número de conhecidos consoante o grau de aproximação que eu tenho com essas pessoas. Retirei aquelas majestades que se acham boas, retirei as damas que a mim já não dizem nada, os valetes foram para a valeta, as cenas tristes optei por esquecê-las e os duques apagaram-se com o tempo. Até mesmo aqueles amigos que eu considerava que eram uns ases, agora já não são nada. Depois existe aquele tipo de gente que conhecemos mas que não servem para nada, os ditos "fardos de palha". É engraçado como a vida de uma pessoa se pode tornar num jogo tão pouco competitivo e sem adrenalina nenhuma.

Emanuel Melo

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Dia Negro

Ele tem um ataque
E eu temendo o que se pode passar, fujo
Tapo os ouvidos
Quero fechar o meu mundo
Mas não dá
Fracassei...

Desço as escadas
E vou do Céu ao Inferno
Tento ajudá-lo
Assisto a este espectáculo obsceno
Que me queima as veias como um veneno

Morreu o ataque
o espectáculo
Nasceu a insegurança
o medo

Deito aquele anjo ferido
Tapo-lhe as asas rasgadas
Ele dá o seu último fôlego
E eu desvaneço junto dele

Emanuel Melo

Página de um diário (fictício)

2 de Outubro de 1968

Manhã cinzenta na cidade da cor. Percorro as ruas da cidade, como uma alma a vaguear. Vislumbro ao longe um bando de cães a vasculhar restos de comida putrefactos. Após uma silenciosa e extensa caminhada, chego finalmente ao estúdio, reparo que sou o primeiro a chegar, preparo tudo para que quando eles chegarem se sintam melhor do que eu quando aqui entrei e senti o frio a congelar-me o sangue nas veias. O primeiro a chegar é o Ray. Tivemos uma conversa agradável, convidou-me a ouvi-lo tocar no seu piano. Os seus dedos deslizavam e de repente... zás, lá ia uma tecla para baixo e parecia que as teclas do piano tinham sido moldadas para os seus dedos. A melodia adocicou os meus ouvidos, tal qual o mel o faz com os meus lábios. Totalmente psicadélico. Antes do Ray terminar, chegou o Robby, como sempre, vem pensativo e ausente, senta-se no sofá do estúdio, e agarra uma folha branca de onde surgirá, de entre os rabiscos horriveis, uma música belíssima. O John é o terceiro a chegar bebe um copo de tinto, senta-se ao lado do Robby e mesmo sendo supérfluo ele tenta ajudar o Robby com a sua música. Passados 30 minutos chega finalmente o Jim. Vem com um ar apático, resultado de uma noite de bebedeira. Já todos o avisámos sobre a sua triste sina, mas ele já nem liga ao que dizemos, perdemos o nosso parceiro para o álcool. Começou o ensaio, o som percorre todo o estúdio, enchendo-o de vida, magia, alegria... Não estávamos à espera, mas dos escombros surge o velho Jim com a sua feiticeiresca voz. Ficámos vidrados nele, quase que o tempo parou e nos arrastava na sua paragem, mas tivemos auto-controlo suficiente para aguentar e não nos deixámos ir abaixo. O tempo voou e a luz do dia é engolida pela escuridão da noite. O Robby lembrou-se do motivo que o fizera vir pensativo para o ensaio: não deu comida ao seu peixe dourado de manhã. Despediu-se apressadamente e com uma certa confusão à mistura. O John sucedeu-o partindo também numa aventurosa caminhada pela escuridão assombrosa que nos rodeava.
O Ray convidou o Jim para ir jantar com ele lá a casa, e enquanto a indecisão do Jim ia surgindo e aumentando, o Ray ia ficando com cada vez menos esperanças no SIM. Sim! - disse o Jim num ruído seco. Ao ver aquilo fiquei perplexo. O Ray também me convidou mas eu optei pelo NÃO, eles iam reviver os tempos da UCLA e eu não queria incomodá-los. Despedi-me deles e saí do estúdio. O cinzento que pintava as ruas de manhã, dera lugar ao negro da noite, que me penetrava nos olhos. Os cães diminuíram? Não, pelos vistos não eram os cães, eram ratazanas no seu imundo paraíso.
Cheguei finalmente a casa, exausto, comi algo que me aqueceu o estômago, despi-me, deitei-me sobre a cama, que tinha ficado por fazer, e aqui estou eu a escrever o meu diário mais uma vez, mais uma página...

Mike Gordon

Emanuel Melo

Tento apresentar-me...

Muito resumidamente, vou esclarecer o que me levou a criar este blog: escrever. Adoro escrever, posso ter jeito ou não, isso a mim não me interessa, o que eu quero é escrever. Quando escrevo sinto-me livre, e é essa liberdade que eu vos quero passar. Espero que partilhem comigo nesta aventura as minhas felicidades, as mágoas, os medos, os desejos, os sonhos, tudo aquilo sobre o que eu aqui escrever. Não é obrigado a ver este blog, espero que desfrute dele ao máximo e que tenha tanto gozo em ler o que eu escrevo, como eu tenho em escrever. Na eventualidade de aparecer algum erro, peço imensas desculpas e irei procurar emendá-lo o mais rápido possível. Todos os textos aqui apresentados são de minha autoria, caso contrário identificarei o autor. Obrigado pela sua atenção, subscrevo-me atenciosamente

Emanuel