quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Glória

Senhora detentora de uns olhos gastos
Pelas visões da vida
Mas que ainda têm uma luz
Uma luz que brilha
E que guia
Quem se achava perdido

Como se faz um sorriso que nos protege do mundo?
Glória sabe fazê-lo
E ao lê-lo, tento encontrar explicação
E encontrar a razão
Que me envia a um outro mundo
Em que para além de o ver
Também posso vivê-lo

Nota: Não podia deixar passar ao lado da minha poesia, uma pessoa fundamental na minha criação e que tanto apoio me deu para puder conseguir concretizar o meu objectivo. Se não o for, eu embora fique triste tenho de entender, mas para mim é uma amiga, e apesar de não ser de acordo da sua ética profissional eu não pude de deixar de lhe prestar este tributo. Obrigado por tudo.

Emanuel Melo

2 comentários:

Anônimo disse...

Maninho, és um poeta <3

Glória Rodrigues disse...

Como comentário e neste contexto só posso partilhar consigo um poema neste dia escuro do Outono

ARTE POÉTICA

A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.

A poesia está na vida.
Nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos, de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
no vaivém de milhões de pessoas ou falando ou praguejando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria ,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas dos comboios a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.

A poesia está na luta dos homens,
Está nos olhos rasgados abertos para amanhã.
Mário Dionísio