domingo, 31 de maio de 2009

Sagrado

Aterradora a visão de uma capela
Toda iluminada, do chão à janela
À luz das velas, e alinhadas todas elas
Faziam da capela um céu com estrelas

Ao lado, numa pequena janela
Uma mãe, viúva do marido, viúva do filho
Uma viúva a quem a vida não poupou lágrimas
No percurso desse longo penoso trilho

Cantando a plenos pulmões
A multidão despede-se por este ano
Da Nossa Senhora, a Senhora das visões
E por baixo do seu olhar mistura-se o sagrado e o profano

Os irmãos, todos com as suas capas encarnadas
São os responsáveis pelo transporte das figuras sagradas
E aos seus ombros não vai somente o peso da santa
Mas vai também o peso da fé da multidão que canta


Emanuel Melo

Um comentário:

Daniel Santos Sousa disse...

Não podia passar neste magnífico blog sem deixar um comentário.

Adorei descobrir a tua poesia, espero que continues porque de facto é um dos poucos prazeres a que o espírito humano se pode dedicar nestes tempos… =)



Parabéns!

p.S.:espero que continues a cantar “a plenos pulmões” esta bela poesia! =)