terça-feira, 5 de agosto de 2008

Espelho que me arranca a alma

De manhã olho-me naquela vidraça, meio limpa ou meio suja, tanto me faz, isso a mim não me importa, o que me importa é que de cada vez que eu me olho nela, sinto que ela me retira um bocado da minha alma, me encurta a vida, que não traz o que o tempo levou. Olhando-me no espelho digo: "Gostava de te puder dar aquela infância que não tiveste, aquela namorada que tardou em chegar, o primeiro emprego maravilhoso que te passou ao lado, o carro que querias tanto, o barco que navegava pelos teus sonhos, a Cultura que tardaste em adquirir, a alma perfeita que sonhavas em atingir. Queria realmente dar-te isso tudo, mas nas alturas em que não podia falhar, falhei. Fracassei como uma lebre que tenta fugir à morte inevitável no bico de uma águia, fui adiando, adiando, adiando e o inevitável chegou, e chega todas as manhãs quando te olho com a minha máxima atenção, e um arrepio apodera-se do meu corpo velho e desgastado pela vida e estremece, como se um sopro mortífero te levasse num último suspiro".

Emanuel Melo

Um comentário:

Joana disse...

Mais pura verdade --'

Estamos sempre a adiar as coisas, na esperança de haver um dia certo para arriscar... Quando arriscamos, reparamos que já é tarde demais. É aí que nos arrependemos e dizemos para nos próprios que o deviamos ter feito há mais tempo.

Como uma amiga me ensinou 'Não me arrependo do que fiz, arrependo-me mais do que podia ter feito'

*.*


Tens muito jeito , já eu xD ESQUECE :P

Beijinho

Joana Cerqueira*